Mandaram-me este E-Mail e achei por bem que toda a gente fosse de novo recordáda das dificuldades enfrentádas pelos Agentes das Forças de Segurança e ao que eles estão sujeitos.
Ser Policia neste País é cada vez mais dificil quando temos Governantes que desdramatizam diariamente a crescente onda de crimes a que nós assistimos.
Das duas uma; "OU ELES SÃO CEGOS, OU ANDAM A QUERER FAZER-NOS PASSAR POR PARVOS!"
Queremos que nos digam o que esperam que
façamos.
Queremos que nos digam como querem que seja executada a nossa
acção.
Até agora corremos por nossa conta e risco. Sacrificamos a vida
pessoal e familiar, sacrificamos o nosso orçamento familiar para
adquirir meios que não nos facultam e agimos de acordo com a nossa
avaliação dos factos com o único objectivo de manter a Ordem
Pública, a Autoridade do Estado. Quando as coisas correm mal
descobrimos que não era exactamente o que a sociedade pretendia e
somos punidos. E se não agimos somos acusados de
complacência.
Em principio, o POLICA está investido de Autoridade do Estado, mas
em quê que se traduz essa autoridade? Como pode fazer valê-la? Como
se pode mantê-la inviolável?
Fisicamente, qualquer POLICIA pode ser vencido por qualquer
cidadão. Ainda não há “Super-Homens”, mas os POLICIAS
também não podem usar a violência física, apenas podem defender-se
da violência contra si.
Alguém acredita que basta uma ordem verbal para fazer sanar um
crime, por menor que ele seja?
Sendo desrespeitada a ordem verbal, qual o patamar
seguinte?
Ignorar o crime ou manter a Autoridade Pública? A que
custo?
Reportemo-nos ao caso do militar da GNR condenado a 14 anos de
prisão por ter disparado contra um jovem de 17 anos que lhe havia
roubado um fio de ouro, causando-lhe a morte. Face à evolução da
sociedade, face à queda de valores e da ordem social, este caso
merece a nossa reflexão, merece por isso uma análise profunda. Aqui
apenas serão lançados os dados.
O POLICIA em causa foi punido, assim o ditou a justiça. Então
ficamos a saber que aquela actuação foi severamente condenada, foi
considerada totalmente inaceitável.
No entanto alguém deveria dizer como ele deveria ter agido para
amanhã os outros POLICIAS saberem como actuar, e o cenário que se
põe é o seguinte:
O POLICIA, identifica-se e oferece resistência. Se os assaltantes
prosseguirem com o roubo, o POLICIA, fisicamente em desvantagem,
permite que lhe levem o fio. Posteriormente, pede apoio policial
para tentar identificá-los, com ou sem sucesso dada a enorme
multidão e enorme área urbana. Não se livra da vergonha pessoal,
social e profissional de sendo POLICIA, ter-se deixado
roubar.
No dia seguinte esse mesmo POLICIA, já fardado exerce a sua
actividade na zona e passa a ser vítima de chacota social. Como
pode proteger um cidadão se ele próprio tinha sido
assaltado?
Mesmo que fosse possível identificar os indivíduos, o POLICIA não
os levaria a justiça, por uma série de razões; A Justiça é
excessivamente cara , perante o seu rendimento, e não teria apoio
institucional; A Justiça é lenta e seria ineficaz pois a sua
Autoridade como policia já estava ferida. Restar-lhe-ia
conformar-se e eventualmente mudar de zona.
Como se sentiriam os assaltantes se o POLICIA tivesse sido
assaltado sem consequências? Confiantes para tentar um patamar mais
acima? Qual? Qualquer um!
Agora, digam-nos como reagiremos se, estando sozinhos, virmos um
cidadão a ser roubado ou agredido por alguém fisicamente superior a
nós? Deixamo-lo agir e chamamos reforços para tentar identificá-lo
a posteriori? É que só dizer que se está investido da Autoridade do
Estado não chega para fazer cessar a agressão. O que poderá o
agressor temer quando vê um POLICIA? Nada!
Mas a estas questões há duas versões: Se quem responde for a
vitima, todos os meios são aceitáveis, caso seja pai, familiar do
criminoso, todos os meios são escessivos. No meio destas análises
está o POLICIA que tem de tomar uma decisão sozinho!
Mas o que acontece ao POLICIA se “não viu” o cidadão a
ser vitima de um crime? Nada. O que acontece se reagir e essa
reacção foi desproporcionada? Severamente condenado!
Então em que ficamos? Que querem de nós que ainda não somos
Super-Homens?
Quem rouba um fio a um POLICIA também pode roubar a arma. Não?!
Então, se amanhã um grupo de delinquentes abordar um POLICIA e lhe
exigir a arma, como deve reagir?
Fisicamente inferiorizado, usa a arma para manter na sua posse (na
posse do Estado) ou entrega-a para não por em risco a vida dos
delinquentes? Como agirá?
Se o POLICIA usar e atingir alguém, tem destino certo na cadeia, se
a entregar ainda que resista sem pôr a sua vida em perigo, pode ser
expulso pela Instituição. Mas a arma roubada pode ser usada contra
cidadãos comuns, qualquer um! De quem será a
responsabilidade?
Vejamos ainda o seguinte:
Há doentes que entram com próprio pé num hospital e saem no estado
vegetativo e outros já nem saem de lá vivos: Erro médico mas
ninguém vai para a cadeia;
Há juízes que condenam inocentes e outros que libertam criminosos
que voltam a cometer crimes, muitos deles violentos, e nenhum vai
para a cadeia porque não se pode beliscar a Autoridade do Estado. É
que caso acontece os Senhores Juízes passariam estar condicionados
no momento de decidir. É exactamente o que acontece com os
POLICIAS, estão extremamente condicionados no momento de decidir
porque o risco da cadeia é real e não há desculpabilização para um
erro policial, ainda que seja sobre delinquentes, ainda que seja
para repelir um crime!
Precisamos que nos digam como deveremos agir!
Não podemos manter a Autoridade do Estado por nossa conta e risco!
Alguém tem que assumir essa responsabilidade: Agimos até que ponto
ou simplesmente não agimos? É preciso ter presente que a voz da
POLICIA apenas é respeitada pelas pessoas de bem, mas com essas
pessoas não resultam problemas, queremos saber como agir perante
aqueles que não obedecem e até desafiam a Autoridade do Estado?
Alguém dirá, levem-nos à justiça! Mas é exactamente isso que
queremos que alguém diga, como levamos alguém à justiça contra a
sua vontade, quando resiste e é fisicamente forte? Como fazemos
cessar uma agressão contra nós ou contra um cidadão, se fisicamente
estivermos em desvantagem? Deixamos agredir e identificamo-los
depois? Deixamos de ser POLICIAS e passamos a ser identificadores
de criminosos?
No passado, um delinquente era severamente punido pela moral social
e isso, em muitos casos, era suficiente. Hoje tal não
acontece.
Para uma melhor qualidade da actuação policial, exige-se que os
cidadãos digam o que esperam de nós, como querem que o POLICIA
mantenha a Autoridade do Estado, ainda que seja contra si, mas para
o bem comum. O risco é cada vez maior e tal verifica-se no aumento
da insegurança.
O ridículo já aconteceu:
Um cidadão fugiu para um Departamento policial, seja ele Posto ou
Esquadra para se proteger e foi agredido lá dentro por quem o
perseguia. Alguém perguntou como é possível tal acontecer? Acontece
porque o POLICIA não pode fazer nada. Essa é a realidade que
ninguém quer ver! Amanhã, quando casos ridículos se banalizarem,
poderá ser tarde demais! Daqui a tomarem de assalto o Posto ou a
Esquadra… pouco falta! Até por brincadeira, mas é
possível.
Vale a pena pensar nisto!
Caso CAMARATE mais uma BOMBA para ABAFAR!
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